
Nunca olhei o Gabriel como uma criança cheia de limitações
Ao contrario, quando olho para ele vejo muitas possibilidades e
um potencial enorme para ser feliz.
Sempre busquei oferecer a ele uma vida normal, escola, cinema, parque
Mas percebi que algo estava mudando, principalmente na escola
Ele estava arredio, disperso e não participava mais das atividades
Sempre procurando uma forma de se isolar
Pensei que seria algo passageiro, apenas mais uma fase
Mas as mudanças iam se agravando com o passar do tempo
Tive então que tomar uma difícil decisão, a de tira-lo da escola
O Gabriel passou então a fazer aulas particulares com uma pedagoga
E os resultados estão aparecendo, hoje ele já escreve o nome dele
Mas sentia que ainda faltava algo, uma atendimento especial que estimulasse
todo seu potencial emocional e social
Queria que o Gabriel tivesse mais terapias, e assim mas oportunidades para
aprender
Busquei junto ao estado uma atendimento multidiciplinar, já que esse é um direito
que nos cabe, e depois de muito insistir consegui uma bolça em uma escola especial
Confesso que nunca havia cogitado a idéia de coloca-lo em uma escola especial
Sempre eduquei o Gabriel como meus outros dois filhos, nunca o tratei de forma
diferenciada somente por ele ser autista, claro que existem situações em que ele
se comporta de forma diferente e precisa de mais atenção e cuidados, mas sempre busquei dar a
ele a oportunidade de levar uma infância normal
E freqüentar uma escola "normal" fazia parte dessa forma de educa-lo
Mas hoje me pergunto se de fato a escola normal era boa para ele, ou somente
para mim, que tinha a ilusão de que estando entre as crianças que falam, lêem, escrevem,
ele poderia se sentir mais estimulado a fazer o mesmo
Mas agora me pergunto: A quem interessa a inclusão???
Sei que para o meu filho é que não é!!!
Agora entendo sua frustrações, suas insegurança, seu isolamento escolar
Imagino o quando deveria ser difícil para ele estar entre crianças que podiam
realizar tarefas que ele ainda não estava pronto para realizar
O quanto deveria ser frustrante não ser como os demais, ser o único diferente
entre tantos, já que as crianças podem ser cruéis, com seus apelidos, ou a maneira
como excluem aqueles que fogem a normalidade, machucando emocionalmente esse criança
Apesar de acreditar que a inclusão realmente ajuda as crianças a aprenderem a
conviver com as diferenças, ela não ajuda ao diferente a se sentir parte da
normalidade
Hoje o Gabriel esta feliz, passa o dia todo na escola, e volta para casa com um
sorriso no rosto que há muito tempo eu não via, como se ele finalmente tivesse
encontrado o seu lugar.

Postado por: Rita e Otto Kuester às 13:23
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Um anjo do céu
Veio um anjo me avisar
Que não haveria mais razão para chorar
Pois seria só recio,que não éra verdadeiro
Todo o medo que estava a me atormentar

E a noite se fez dia
Voltou então a alegria
O medo agora estava no passado
Nada estava errado

Agora é recomeçar
Pois a vida segue em frente
E quem é mãe,não pode parar

Meus filhos dependem de mim
Da minha força e bem estar
Já renovei minhas energias
Estou de volta,pra ficar


Postado por: Rita e Otto Kuester às 13:18
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